terça-feira, 11 de março de 2014
o amor é um jogo ✸
Hoje em dia a pizza vem congelada, a roupa lava sozinha, o Mc Donalds faz macDrive, e o filme não precisa mais rebobinar. Cada um tem seu telemóvel, e é tudo tão cômodo que a gente até se esqueceu que nem sempre foi assim. A tecnologia nos deu um mundo novo: mais rápido, mais fácil e, antes de mais nada, passageiro. O hotmail rasga automaticamente as minhas cartas, as fotos somem sempre que o computador estraga, todo mês a nokia lança quatro ou cinco modelos diferentes de telemóveis. Estranho? Claro que não. Já estamos tão acostumados que mal percebemos a insolidez e instantaneidade das coisas. E não é à toa. Nos vestimos assim, comemos assim, e o mais triste: nossos relacionamentos tambem são assim. A minha geração inventou o "ficar" e admite tranquilamente sexo sem compromisso. Diferente da minha mãe, eu não preciso namorar pra beijar na boca, nem casar pra deixar de ser virgem e, se aos 17 eu me sentia em vantagem, hoje eu começo a admirar aqueles tempos. Para onde foi o romantismo, o amor verdadeiro, as flores, as declarações? O que aconteceu com a intimidade, com o respeito e a confiança? Será que ninguém mais acredita na felicidade calma das terças feiras chuvosas, na alegria constante de se querer quem se tem? O amor é um jogo esquisito, em que só se ganha quando dá empate. Não quero sair por cima, muito menos sair por baixo, o que eu quero é sair ao lado; e de mãozinha dada, se for possível :$
Talvez seja por isso que a idéia de amar assuste tanto: a concepção de um sentimento duradouro e complicado contraria os valores, tornando-nos confusos e vulneráveis. É fácil conquistar uma menina por uma noite, difícil e conquistar a mesma menina todos os dias.
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